Cariocas no Canadá

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domingo, 20 de março de 2011

Esquecí de novo..4 anos de Blog!!!!!


Pôxa..acabei de perceber que deixei passar mais um aniversário do blog em branco..foi em novembro!!!
O blog completou 4 anos de existência gente!! Um tempão mesmo se formos ver que muitos blogs acabam abandonados assim que o povo pisa aquí.
Eu como sou falante,acabo sempre tendo o que escrever. Uns gostam,outros não.. Já teve quem criticou,quem julgou..
Teve quem defendeu,teve quem ficou neutro e quem colocou ''lenha na fogueira''!
Quando comecei a escrever,em novembro de 2006,não poderia jamais pensar que viveríamos tudo que temos vivido,nem imaginar o quanto estaríamos nos sentindo parte do Canadá como nos sentimos hoje,após 2 anos e 4 meses por aquí.
Bom, em breve terei novidades para escrever e pelo que sinto serão novidades grandes e diferentes.
Por enquanto fico aquí na minha discreta e atrasadíssima comemoração dos 4 aninhos de nosso blog.
Garanto que apesar dos altos e baixos eu o mantenho com muito carinho,como um canal para conhecer pessoas legais,como um meio de dividir nossas experiências e manter a nossa vida atualizada e nossas conquistas de acordo com nossos projetos para quem tiver interesse em imigrar.
lembro o óbvio de que Nossa experiência é Nossa.E que a sua poderá ser bem melhor ou pior dependendo de sua profissão e disposição para enfrentar os desafios que sem dúvida irá encontrar.
E que tudo depende também de quanto vc pode trazer para se aguentar enquanto as coisas não deslancham.
Que venham mais nívers de nosso blog,mas sei que dificilmente teremos acontecimentos relevantes para mante-lo no mesmo pique do início;afinal o que antes era novo,hoje é rotina pra gente.
A neve já é considerada suficiente após 2 meses de inverno,o frio já é algo muito trivial apesar de ainda desconfortável.Creio que sempre será,assim como os dias de calor excessivo que enfrentamos nos verões passados.
Então,em vias de sofrermos mudanças radicais no seio de nossa expedição,me despeço por hora com um desejo de boa leitura aos que estão conhecendo o blog agora e reforçando que podem escrever para nosso email,fazer perguntas,conversar,deixar comentários..
Desde que com educação,continuarei disponível para dar uma força sempre que solicitarem.
Boa semana para todos!


sexta-feira, 18 de março de 2011

Despedida da Honney- parte 1

Essa foi a última foto que tiramos dela,de ''maria chiquinha''feitas por nossa filha e como podemos notar,ela nem ligava,hehehe..e ainda tirava onda fazendo poses!


Após um tempo sem comentar sobre Honney,resolví compartilhar mais uma etapa de nossa despedida.
Quando Honney desencarnou,nos foi oferecida três possibilidades para essa despedida;
1ª Enterro(existe um cemitério para animais de estimação na região de Laval).
Custo:$can 200,00.
Descartamos pois não faz parte de nossos costumes religiosos ficar frequentando túmulos e pondo flores,então achamos que o corpinho dela ia ficar lá esquecido e a gente ainda ficaria se culpando de não ir visitar.Sem esquecer do detalhe de que poderemos nem morar pra sempre aquí.

2º Cremação pública em grupo.
Custo: Zero .(pago pela prefeitura para animais de pequeno porte).
Descartamos também pois bateu uma peninha danada apesar de nossos conhecimentos espirituais,saber que ela viraria um montinho de cinzas misturada a outros montinhos e nem saber o que fizeram depois.

3º Cremação particular.
Custo $142,00.
Escolhemos esse meio pq queríamos nos despedir dela de uma forma diferente em um lugar especial que pretendíamos ir com ela: Paris!
Como nós a levamos a NY e ela curtiu muito a estrada,estar com a gente no carro ouvindo música e nos fez cia no hotel de forma super comportada e elogiada pelas camareiras,resolvemos que ela iria a Paris também quando pudéssemos fazer finalmente essa viagem.
Infelizmente ela não vai poder curtir fisicamente esse passeio,mas eu prometí isso a ela e é o que farei.
Pretendemos deixar cair do alto da torre Eiffel as cinzas de nossa amada amiguinha.
E saberemos sempre que de alguma forma ela foi lá conosco.

Bom, seguem as fotos de como eles apresentaram a urninha dela e os cartões de condolências que recebemos dessa empresa que é especializada em animais de estimação.


Tudo é feito com muito carinho e respeito.Confesso que demoramos um pouco para buscar na clínica pois estava com receio de sofrer novamente. Mas isso é inevitável,quando ví a caixinha,as cinzas dentro do saquinho,chorei de soluçar novamente.Mas Deus está cuidando bem dela e quem sabe ela pode até já estar sendo mimada por outra família que vai conhece-la e ama-la tão profundamente como nós a amaremos para sempre.

A parte 2 da despedida será após nossa viagem a Paris que infelizmente ainda não tem data.

Bom fim de semana para todos!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Com vocês..Scully Juliette Love !!


Essa semana recebemos em casa mais um membro para nossa família.
Após a perda de nossa amada Honney no dia 20 de janeiro,tomamos a decisão de trazer outro gatinho para viver com a gente.
A casa ficou vazia sem ela,nos pegávamos e ainda nos pegamos com lágrimas nos olhos,presos às lembrancas de nossa convivência com ela.
Johnny sempre foi arisco e por ter apanhado sempre da Honney acabou não ficando tão carinhoso e próximo apesar de ser muito bonzinho e manso.
Chegar em casa e não ter nossa amiguinha nos esperando na porta foi realmente muito duro de superar.
Resolvemos todos em comum acordo que seria uma ótima trazer alegria felina de volta pra casa.
Um bebê gatinho após 7 anos!!

Bom,vamos as apresentações então!
Ela se chama Scully em homenagem a agente Dona Scully do Arquivo X.
Nasceu dia 31 de outubro,dia de Halloween,quase junto com nossa caçula!
O 2º nome foi escolhido por nossa filha e o sobrenome pertencia a Honney,a 1ª e absoluta do clã dos ''Loves''.
Honney tinha esse sobrenome e Johnny também é um deles!
Ela é persa e como a maioria de sua raça é muito meiga e quase não mia.
Estamos em '' love'' com ela,rimos,levamos sustos com suas brincadeiras,tem sido muito gostoso ver a agitação em casa.
Tudo muda com um bebê gatinho em casa,desde aos cuidados com pequenas linhas dos meus bordados(ela pensa que é pra comer) às comidas que ela vive de olho e não pode comer(as nossas),hehehe..
Ela é uma graça!
Vejam as fotos das 1ªs traquinagens dessa figurinha!



terça-feira, 1 de março de 2011

Visitando Boston



Sexta feira pegamos estrada rumo aos EUA,
Nossa preocupação ao viajar são nossos bichinhos e Lancelote estando idoso mais ainda.


Ele sempre fica no Alberge Zen que fica em Laval,mas dessa vez ficamos com o coração apertado em deixa-lo lá pois ele está bem envelhecido,apresentando artrite em mais de uma pata,bem quietinho mesmo,ficamos com peninha de tira-lo de seu cantinho.
Tem dias agora no inverno que nem temos levado à rua,pois na volta é sempre um sacrifício para ele subir as escadas de volta pro apartamento.
Ele está com 12 anos e 6 meses e a idade limite dos cães da raça dele é de 10 a 12 anos.Ou seja,ele está na prorrogação!!
Imaginem os desconfortos,catarata,artrite,cansaço..
Então pensamos em deixa-lo em casa para não incomoda-lo tanto.
Pensamos num amigo que morasse perto pra vir aquí 1 dia para falar com ele,trocar a água,pôr mais ração.. e logo lembramos de alguém que topou de 1ª para nossa alegria e tranquilidade.
Uma vez com tudo resolvido,saímos de casa as 10:30 de sexta feira.Numa viagem que demora em média 6 horas foi feita em 10 por conta de uma tempestade de neve que pegamos já nos EUA.
Foi nossa 1ª tempestade na estrada.
Vimos 3 veículos em situações delicadas;2 carros de passeio aparentemente sem ser 4x4 fora da estrada esperando socorro para guinchar o carro e uma caminhonete daquelas que tem a pá de neve na frente,sendo que essa com certeza era 4x4 e estava virada de lado entre as 2 pistas..provavelmente devia estar pisando pois vimos que o povo que tem 4x4 abusa um pouco da velocidade mesmo numa nevasca.
Fomos bem devagar como a maioria,em alguns momentos esperamos a limpeza ser concluída a nossa frente pelos caminhões com essas pás gigantes que passam raspando tudo e fazendo faíscas com o atrito no asfalto.

Chegamos bem cansados a noite,mas enfim estava começando alí nosso fim de semana que foi muito bom por sinal!
Nosso roteiro era o seguinte: Sábado acordar,tomar café e ir ver o mar.
1º ver o mar pois era necessário já que estávamos há 2 anos e 4 meses sem vê-lo.
Nós crescemos de frente para o mar e sentimos muita falta dele em nossas vidas.Isso é um ponto que vira e volta pensamos e repensamos sobre nosso futuro aquí..mas isso é papo pra outro momento,o que importa é que vimos o mar, e ele estava lindo num cenário de céu azul,construções a beira mar bonitas e um som bem animado ao fundo!


2ºponto a visitar era a Universidade de Harvard.Tanto pela fama como pelo interesse de nossa filha em ser médica e quem sonha com medicina sonha com Harvard pois ela é a melhor do mundo nesse curso.
Bom,fomos lá e digo que tudo em volta é fantástico de ver! Os prédios são muito imponentes,seu estilo neo clássico com aquelas colunas suntuosas.. adoramos ter conhecido aquela região,seus hospitais,seus centros de pesquisas.. maravilhoso mesmo.


Depois fomos fazer um lanchinho e conhecer a parte de comércio brasileiro que tem na cidade.Muito legal a variedade que os brazucas de Boston tem de nossos procutos brasileiros mais populares.. quem nos dera ter uma terca parte aquí em Montreal...hehehe..
Fomos a um mercadinho que tinha inclusive açougue e depois fomos a uma padaria brasileira comer pastéis de carne,suco de cajú e brigadeiros gigantes.


Tirei umas fotos e preparei um slide para terem uma idéia:



Nosso passeio terminou num restaurante simples e agradável ao lado do hotel onde estávamos hospedados.
Dia seguinte,domingo: Tomamos café e pegamos estrada de volta.
Tudo perfeito apesar de corrido.
Boston é uma cidade bastante agradável e bem próxima de Montreal.

Boa semana para todos!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A volta dos que não foram...


Aquí estou eu,ressuscitando aquele que jamais morreu;o ''Urubussecandus''!!
Impressionante como ainda me surpreendo com os homens,entenda-se ''seres ditos humanos''.
Gostaria de saber com outros imigrantes se eles passam ou passaram por experiências semelhantes desde que imigraram.
Bom, vou explicar direitinho:
Nós tínhamos alguns amigos muito chegados e alguns inclusive com parentesco sanguíneo.Esses amigos e parentes,sempre nos deram força em momentos difíceis enquanto estávamos no Brasil.Confiávamos plenamente neles nossos sonhos,planos,projetos,aflições,enfim,tudo que se confia a um bom amigo de anos e anos...
Quando resolvemos vir embora,não recebemos grandes apoios,mas pensamos;deve ser pq ficaremos longe,saudades,algo assim.
Mas enfim viemos,em novembro de 2008! Tem tempo já.
Chegando aquí continuamos a mandar notícias,seja através do blog,emails,e telefonemas via Skype pago pois eles não usavam Skype também.
Ok,nem todos tem intimidade com a Net...(foi o que pensamos).
E assim os contatos foram diminuindo pouco a pouco ao longo dos meses. Nós continuamos a telefonar,nem que somente nas datas de aniversário,Natal...mas de lá não vinha nada,só ia daquí!!
Isso acaba nos cansando um pouco.Quem vive isso sabe o quanto entristece quando se trata de pessoas que vc ama.
Mas tudo bem,devemos procurar compreender e paciência é nosso nome!!
O tempo passou e hoje estamos a 8 meses de distância para pedirmos nossa cidadania canadense.
Tentamos nos comunicar por emails,mas não vem respostas.
Adicionamos em Orkut,Facebook e nada! A pessoa usa,fala com outras pessoas mas não fala conosco.
Engraçado é que aceita o convite,será que é por educação ou só pra ver as fotos da gente vivendo nossa vida aquí num lugar diferente?
Será que não conseguem ter amizade com quem está longe? Ou será que incomoda ver que não estamos mal?
Não gosto das dúvidas que páiram nossas cabeças a respeito disso.
Mas o que fazer se não se trata de alguém que vc conheceu ontem? se trata de parentes!! Um dia vc vai rever!! E como se deve agir numa situação dessas sem ser grosseiro ou se sentir feito de palhaço?
Tem gente que pensa que só pq vc vive no exterior do Brasil ficou rico.
Tem quem pense que por isso a gente não precisa mais daquela amizade.
Pelo amor de Deus!!!! Não sei o que seria de mim sem a amizade da Janina,da Patricia,da minha tia Magaly que me procura diariamente dentre outros parentes e amigos que se importam verdadeiramente conosco.
Não tem a menor graça ter sucesso ou ser simplesmente feliz sem poder compartilhar com os que amamos,independente da distância física.
Mas como saber se ainda nos amam ou se a invejinha(antes branca)talvez tenha se tornado o ''lado negro da força'' ??
Deixo a questão no ar ,peço aos brasileiros que acompanham o blog e que estão aquí do outro lado me digam o que pensam sobre isso por favor.
E peço aos que estão no Brasil e perceberam que podem estar se encaixando nesse perfil,que repensem seu comportamento.
Nós não viramos ETs pq imigramos nem nos tornamos ricos e melhor ainda,se ficarmos ricos, não estaremos passando nenhuma doença mega contagiosa não viu?
Sempre tive amigos ricos e sempre os amei da mesma forma,nunca me fizeram mal por isso,ok?
Outra coisinha;ainda não temos emprego,maridão continua na busca,estamos vivendo no seguro desemprego e da venda de nossa casa que por sinal foi adquirida unicamente com esforço nosso de muito trabalho de muitos anos.
Mas,sabemos que conseguiremos atingir nossos objetivos,independente dessa possível torcida negativa de quem quer que seja.
Simplesmente pq temos Deus ao nosso lado todo o tempo !!

Segue o velho texto do Urubussecandus para quem não lembra:

Urubussecandus :

Uma das grandes dúvidas das pessoas que entram no processo de imigração é se devemos contar ou não para amigos e familiares sobre o projeto.

Logicamente que cada caso é único e não podemos generalizar, por isso vou relatar as fases de crescimento de um animal que tem nos acompanhado desde o início e que dei o nome científico de urubussecandus.

1) Nascimento - Esse animal tem um tempo de gestação muito rápido, e normalmente antes do final da primeira semana da abertura do processo ele nasce já pronto para se alimentar e começa a rondar os candidatos a imigração.

2) Infância - Período onde ele aprende a voar sozinho e escolhe a família que irá acompanhar até o final da sua vida. Nesse período desenvolve uma linguagem única e durante a fase da espera do pedido da documentação não para de repetir:- "Tem certeza que vai conseguir aguentar o frio canadense ?? "

3) Adolescência - Quando chegam os pedidos dos documentos sua linguagem evolui, e várias frases já se formam sendo as mais comuns relacionadas com os exames IELTS / TEF.

-‘’ Será que vai conseguir a pontuação que precisa na prova ?’’

-‘’ Você acha que sabe falar inglês/francês, mas logo vai perceber que não aprendeu o suficiente para ser aprovado na prova.’’

4) Adulto - Nessa fase o animal já bem desenvolvido fica sobrevoando a maior parte do tempo sua casa, e muitas vezes tenta tampar o sol que ilumina o seu caminho aproveitando a longa espera pelo pedido dos exames médicos. Escutamos várias frases dele como:

- ‘’Acho melhor desistir dessa loucura pois não vai dar certo’’. "

-‘’Tem certeza que o consulado não perdeu o processo de vocês ?’’

- ‘’Esses exames médicos não chegam...acho que é um sinal divino para desisitirem. "

5) Envelhecimento - Mesmo cansado depois de voar tanto na fase adulta, ele não desiste de te acompanhar e continua fazendo os comentários após a realização dos exames médicos.

- " Será que os exames vão chegar mesmo em Trinidad ?? "

- " Como o consulado ainda não enviou o pedido dos passaportes com certeza a família tem alguém com problemas médicos. "

- " Aproveita que ainda tem tempo, desiste do processo e segue a vida no Brasil. "

6) Morte - Quando finalmente depois de uma longa espera chegam os vistos de imigrante o animal se dá por vencido, e descobre que abriu mão de viver uma vida feliz para se dedicar única e exclusivamente a torcer contra a felicidade dos outros.

Antes de morrer ainda consegue forças para pronunciar sua última frase:

-‘’ Tenho certeza que não irão se adaptar com o Canadá, e logo estarão de volta tendo que começar a vida do zero no Brasil.’’

Como ainda não terminamos o processo continuamos com o nosso urubussecandus voando em volta da família fazendo seus comentários,mas já nos acostumamos com sua presença e até vamos sentir falta de suas palavras de " otimismo " quando chegar a hora do nosso embarque para o Canadá.

Esse animal não corre risco de extinção e encontramos diferentes espécies espalhadas pelo mundo.

O aprendizado que tivemos na nossa experiência com o animal no Brasil nos dá a certeza que vamos dar muita risada quando aparecer o primeiro urubussecandus canadense, pois depois de ouvir nosso relato sobre seu amigo brasileiro ele pensará melhor antes de fazer algum comentário e irá se esforçar para se transformar num beija-flor até o início da primavera.''

Bom,espero mesmo que se tornem beija flores já que tudo o que desejamos aos outros acaba retornando para nós mesmos!



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Para quem tem pais sozinhos no Brasil...



Ontem no final da tarde estivemos na casa de amigos e conversamos sobre como foi a estada de minha mãe aquí,hoje quando acordei,me toquei de que não havia comentado no blog até agora sobre isso,nem tão pouco sobre a possibilidade dela vir morar conosco aquí no Canadá.
Bom,vou procurar ser bem clara,mas lembrando logo que as mães não são iguais só pq são mães e que não posso trata-la como criança pq ela ainda não passou dos 90 quando TALVEZ esteja numa situação de dependência que nos inspire cuidados especiais.

Vou falar um pouco de minha mãe... 1º;ela é uma mulher independente,autônoma que vive sozinha num prédio com toda uma infra estrutura montada em torno de sí.
Ela tem academia,salão de festas,piscina,sauna,circuito de segurança 24 hs,biblioteca,sala de internet e agora tem seu próprio computador que tem aprendido a usar um pouco mais a cada dia.
Minha mãe ficou viúva com 27 anos e sem família no Rio de Janeiro para ajuda-la fosse a me criar ou a se locomover pois havia sido paralítica aos 20 anos(já falei sobre esse problema dela antes aquí no blog).
Ela sempre teve que fazer e resolver a vida sozinha,com isso criou uma rotina onde ela se ocupa de ida à médicos,Bancos,vai ao salão,cuida de suas unhas,cabelos,etc... como qq outra mulher que tem sua vaidade e que tem condições financeiras suficientes para isso.
Ela tem uma autonomia financeira que lhe permite viver sem precisar de ajuda de parentes (ainda bem,pq se não já teria morrido de fome-os parentes dela são paupérrimos).
A 2ª parte que devemos lembrar é a questão ''saudades''.Acho muito complicada essa parte.
Vindo para cá,fizemos uma escolha baseada em nossas vidas(minha,de meu marido e de nossas filhas)e não baseada na vida dela.
Não tínhamos como fazer as 2 coisas.
Pensamos em nosso futuro,nos estudos de nossa filha mais nova que vive conosco,na carreira de meu marido e na minha possibilidade de voltar aos estudos,aprender inglês,espanhol,italiano,fazer algum curso que me interesse,enfim.
Estamos caminhando na direção que escolhemos dentro de nosso planejamento.As coisas estão indo positivamente apesar de serem lentas.
Para minha mãe vir de forma legal e definitiva temos que apresentar uma renda bastante significativa que possa sustentar a todos nós incluindo a ela.
O que ela recebe de pensão de meu pai não é considerado aquí para o Governo do Canadá.
Ela poderia se sustentar sem nossa ajuda pois ela é quem pode realmente nos ajudar e tem feito isso.
Mas para o Governo isso não importa.

Mas vamos a 3ª e mais importante consideração disso tudo:
Minha mãe como falei no começo dessa postagem tem uma vida própria,não depende da gente pra nada.Mas se sente sozinha sem nossa presença por perto.
Não morávamos juntos,mas estávamos na mesma cidade.
Almoçávamos juntos 1 x por semana geralmente aos domingos quando ela ia a nossa casa.
Ela enquanto esteve aquí conosco ficou por 3 meses e sempre havia um amigo ou uma amiga que mora no prédio dela que a procurava pelo meu Skype,que diziam que estavam com saudades,etc..
Percebemos logo que ela não estava tão sozinha lá como pensávamos.Acho que até mesmo ela percebeu que tinha amigos de verdade.
Muitas vezes precisamos nos afastar para valorizar mais.

Durante o tempo em que ela esteve aquí,1 mês foi com o pé quebrado sem poder se locomover pois não podia tocar no chão e como já foi paralítica seu equilíbrio é muito menor que o de todos nós,imagine com um pé só!
Então sobraram 2 meses para ela poder sair e conhecer a cidade e a Província.
Fizemos todos os passeios que foram possíveis,o frio sempre atrapalha e principalmente no caso dela a neve pois torna as ruas escorregadias e perigosas para uma queda.
Isso também acabou limitando-a a passear mais de carro.
Meu marido estava fazendo um estágio 3x por semana e um mês desses 2 foram reservados para estudar para a Ordem.Sobrou assim 1 mês realmente livre para podermos passear sem correr.
Eu não dirijo e mesmo que dirigisse costumamos sair todos juntos.
Chamei-a para caminhar comigo pelo bairro mas ela ficava muito cansada rapidamente por conta das dificuldades dela de equilíbrio.
Foram somente 3 saídas a pé juntas por conta disso(incluindo 1 passeio de metrô e caminhada pela cidade subterrânea).

Moral da história;sabemos que valeu a pena a viagem por vários motivos,o principal foi ela ter conhecido um outro País que não o Brasil,ter estado conosco depois de um ano e meio distantes e saber como é a vida aquí com os próprios olhos e sua própria perspectiva,e não com a minha.
Ela agora sabe como é o final do verão,o outono inteiro e o comecinho do inverno.
Conhece a neve, viu o que é uma tempestade de neve, sabe como ficam as ruas depois.
Conhece o metrô e sabe que não tem elevadores para as pessoas com problemas de mobilidade.
Viu que sem a lingua ficaria totalmente dependente de um de nós e que isso seria impossível de aceitar,tanto para a gente que temos nossa rotina e vida próprias como para ela que não suporta ser dependente de quem quer que seja.

Eu respeito muito esse modo dela pensar pois sei pelo que ela já passou na vida. Ela está mais que certa em querer ter a própria vida sem depender da gente para ir e vir.

Minha mãe está com 68 anos e gosta de sair para viajar com as amigas,conhecer cidades próximas em grupos de turismo,mas isso na língua dela,com o dinheiro dela no tempo dela. E não no nosso.
Nós acreditamos que agora seria extremamente prematuro a vinda dela definitiva mesmo que tivéssemos a renda necessária para satisfazer as exigências do Governo.
Ela teria que mudar radicalmente sua vida,quebrar sua rotina que lhe agrada plenamente para viver aquí provavelmente muito mais sozinha,pois não somos(nem nós nem ela)adeptos de compartilharmos a mesma casa todos juntos.
Ela tem seu próprio modo de viver, de comer,seus horários diferentes dos nossos.
Tem seu modo de decorar a casa e eu o meu.
Pode parecer estranho para quem vive com a mãe,com os pais ler o modo como estou descrevendo,mas eu entendo que as pessoas são indivíduos e cada um tem seu próprio mundinho criado de acordo com seus gostos e interesses.

Chegamos a ver um apartamento aquí na nossa rua,vi preço,etc.. fiquei até amiga do senhor que é dono do prédio.
Conversei com ele sobre a situação dela e ele foi logo me apoiando pois ele jamais seria feliz dependente dos filhos ou se não tivesse o próprio cantinho do jeito que gosta de ter.
Esse senhor não tem menos que 80 anos!

Conclusão;acho que minha mãe vai ficar ainda mais um tempo por sua conta pelo jeito que ela está hoje.
Se viesse de vez agora teria que abrir mão de uma individualidade, de um círculo de amizade e independência conquistados para estar perto de nós 3.Seria um preço alto a pagar.
Penso que ainda é cedo para colocá-la como uma senhora inválida pois isso ela não é .
Tenho que respeitar sua vida e seu modo de ser e também respeitar que ela não é uma bonequinha que eu levo para onde quiser pq decidí morar fora do Brasil.

O tempo é sempre o melhor conselheiro.

Quando chegar o momento em que ela precise mais de nós e que tenha consciência disso ela mesma,estaremos aquí;prontos para procurar um ap legal,mobiliar,buscar ela no Brasil de novo,enfim, fazer tudo que pudermos fazer como filhos que somos.
Mas enquanto ela estiver batendo pernas nas ruas, sumindo nos fins de semana para os eventos dela,indo ao mercado sozinha,pegando seus táxis,frequentando o Centro e ainda costurando,fazendo roupinhas para doar a bebês carentes,etc, etc.. ela não pode ser carregada como se fosse um pacote e para ser colocada perto de nossas vistas para ficarmos tranquilos com a segurança dela.

Ontem quando nos falamos ao telefone ela ainda tirou onda comigo que está morenaça..eu mereço..estou amareladaça!!

Acho que os filhos muitas vezes pensam ser os pais de seus pais e outras vezes não crescem e continuam sendo dependentes emocionalmente de seus pais.(esses na minha opinião tem ainda mais dificuldades em conseguir viver aquí sem a família(pais).

Estou mais para o 1º caso e buscando mudar isso pra ontem para não sofrer mais tanto quanto antes ao chegarmos aquí quando me culpava até por te-la deixado sozinha no Brasil.

Vivendo e aprendendo!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Desatolando o carro da neve


Bom,hoje nós fomos em missão de salvamento ajudar nossa vizinha e amiga L.(a mãe dos gêmeos que chamamos de vizinhos fofos e que são clientes de nossa filha-ela é baby siter e cat siter da família) .
Ontem L. foi levar Totó(o gatinho dela)para vacinar na rua aquí de trás da nossa e na hora de estacionar subiu num monte de neve que estava acumulado na rua.Ela sentiu o carro subir e não mais descer..seguiu com os meninos e Totó para a clínica onde estava agendada a vacina e na volta viu que não dava mesmo para tirar o carro para voltar pra casa.
A solução foi vir caminhando com as crianças e o gatinho.
Nesse momento mon mari estava chegando e a viu sem o carro,ofereceu ajuda e ela contou o que havia acontecido.
Lógico que ele se ofereceu para ajudar e hoje lá fomos nós munidos de pás e com uma ferramenta que parecia com nossa escavadeira de obra lá do Brasil.
Pensei ;vou levar a câmera e tirar umas fotos pro povo do Brasil saber o que pode acontecer com carros baixos que não são 4x4 em locais onde a neve se acumulou e a prefeitura não priorizou a limpeza.
Quando chegamos lá demos de cara com a má notícia: havia uma multa colada no parabrisas do carro!!!
Gente que sacanagem!! O detalhe é que ela se deu ao trabalho de mesmo com dois meninos pequenos e um gatinho numa gaiola,e frio de escrever um bilhete e deixar a vista avisando que o carro estava quebrado!!!
Bom, nesse momento oferecí para tirar umas fotos para que ela recorra da multa mostrando as provas de que eles é que estão errados e não ela pois se a rua estivesse sendo limpa não teria um banco de neve daquele tamanho no estacionamento.
Vejam as fotos:



A melhor resposta à calúnia é o silêncio. (Ben Jonson)